Grupo de Estudos da UFPE ministra curso na SARI/UFPB

O Grupo de Estudos Subalternos, Periféricos e Emergentes (Gespe), do Núcleo de Estudos e Pesquisas Regionais e do Desenvolvimento (D&R), ligado ao Programa de Pós-Graduação em Ciência Política (PPGCP) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), desenvolve desde o ano passado uma parceria com o Departamento de Relações Internacionais da UFPB, através da professora daquele departamento, Xaman Korai, promovendo troca de experiências e atividades conjuntas. Como parte desse intercâmbio as doutorandas em Direito e em Ciência Política, Mariana Yante e Juliana Vitorino, representam o Gespe/UFPE no convite feito pela UFPB para participar da III Semana Acadêmica de Relações Internacionais da Universidade Federal da Paraíba (SARI/UFPB) ministrando o minicurso: Segurança alimentar e cooperação na América do Sul: construção de um novo paradigma para as políticas públicas regionais?

A SARI/UFPB é um evento anual organizado pelo Departamento de Relações Internacionais. Aberta a todos os públicos, a SARI é uma oportunidade para a ampliação e aprofundamento das discussões sobre temas de grande relevância para as relações internacionais. Com a realização de palestras, mesas redondas e cursos especializados, alunos de todas as formações, professores do ensino médio e superior e profissionais em geral poderão acompanhar os debates.

2014 é o Ano Internacional da Agricultura Familiar pelas Nações Unidas. A questão da fome e da segurança alimentar é um problema de grande relevância internacional, vitimando, talvez, mais pessoas do que determinadas guerras e causando alto nível de sofrimento humano. A fome pode gerar ou intensificar instabilidade social e política e bloquear as possibilidades de desenvolvimento. Procurando tratar dessa questão extremamente relevante e com grande incidência na agenda internacional e na política externa brasileira nos últimos anos, a III SARI desenvolverá o I Seminário Segurança Alimentar e os Dilemas da Cooperação Internacional, no qual serão desenvolvidos mesas-redondas, conferências e mini-cursos sobre os temas.

O objetivo do curso ministrado pelo Gespe/UFPE é situar a problemática da segurança alimentar no (novo) marco integrativo da América do Sul, e, ao mesmo tempo, analisar em que medida as políticas públicas regionais que vêm sendo delineadas nesse âmbito refletem um novo paradigma de cooperação na região. Serão examinados casos concretos, a partir das políticas públicas e acordos estabelecidos no âmbito da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL), do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) e, sobretudo, da Alternativa Bolivariana para as Américas (ALBA), e os desafios existentes para efetivá-las.

A III Semana Acadêmica de Relações Internacionais da Universidade Federal da Paraíba será realizada no Auditório de Ciência e Tecnologia (CT) no Campus I da UFPB, em João Pessoa entre os dias 05 e 09 de Maio de 2014. E dentro da programação do evento, o minicurso do Gespe/UFPE ocorre na sexta-feira, dia 09/05, às 9h da manhã.

A participação é gratuita e haverá certificados para aqueles que participarem de mais de 75% do evento.

SERVIÇO

O que: Minicurso “Segurança alimentar e cooperação na América do Sul: construção de um novo paradigma para as políticas públicas regionais?”, dentro da III Semana Acadêmica de Relações Internacionais da UFPB

Onde: Auditório de Ciência e Tecnologia (CT) no Campus I da UFPB, em João Pessoa/PB

Quando: 09 de Maio de 2014, às 9h

Programação completa da III SARI-UFPB: http://www.ccsa.ufpb.br/dri/semana/programacao/
Email: secretaria@ccsa.ufpb.br

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O Brasil entre perféricos e emergentes

Estivemos ontem em atividade da Faculdade Asces, contribuindo com a palestra “O Brasil entre periféricos e emergentes: relações com a China e América Central”.

Agradecemos o convite feito pelo curso de Relações Internacionais, através da Profa. Manuella Donato e, principalmente, agradecemos aos alunos. Esperamos ter deixado inquietações por lá!

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O Brasil entre periféricos e emergentes: relações com a China e a América Central

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A crise de 2008, cujos reflexos político-econômicos ainda se sentem, revelou ao mundo um grupo de países que, por diversos fatores, havia resistido aos graves problemas econômico-financeiros, às ondas de demissão em massa e à deterioração de seu tecido produtivo. Desde essa ascensão desses países ditos emergentes, sobretudo daqueles reunidos no marco do BRICS, a política internacional havia começado a ser cada vez mais influenciada por uma parcela de Estados, outrora chamados de subdesenvolvidos, que passaram a cobrar sua parcela de protagonismo no sistema internacional.

Mas, analisando a partir do Brasil, o que isso significa? Qual é o papel e como vem se comportando o país nesse cenário internacional com tão distintos atores?

O Grupo de Estudos Subalternos, Periféricos e Emergentes (Gespe), do Núcleo de Estudos e Pesquisas Regionais e do Desenvolvimento (D&R) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) entende que é relevante acompanhar e realizar uma leitura crítica das teorias e pesquisas advindas do sul global, bem como produzir reflexão a partir dessa perspectiva. E é nesse esforço que os doutorandos em Ciência Política (UFPE), e membros do Gespe, Aleksander Aguilar e Joyce Ferreira, farão a palestra “O Brasil entre periféricos e emergentes: relações com a China e a América Central”, a ser realizada na Associação Caruaruense de Ensino Superior (Asces), no dia 29 de abril, às 15h.

SERVIÇO

O que: Palestra “O Brasil entre periféricos e emergentes: relações com a China e a América Central”.

Onde: Associação Caruaruense de Ensino Superior (Asces) – Caruaru/PE

Quando: 29 de abril de 2014, às 15h

Evento gratuito. Não é necessário fazer inscrição!

Cooperação sul-sul foi tema de atividade organizada pelo D&R

O auditório do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política (PPGCP) da UFPE lotou na quinta-feira, dia 30 janeiro, durante a palestra “Desafios e Armadilhas da Cooperação Sul-Sul”, organizada pelo GESPE (Grupo de Estudos Subalternos Periféricos e Emergentes), que funciona junto ao Núcleo de Estudos e Pesquisas Regionais e do Desenvolvimento (D&R) do PPGCP.

Alunos e professores da comunidade universitária da casa e de outras instituições de ensino prestigiaram os convidados Xaman Korai, do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), e Vico Melo, membro do D&R e doutorando da Universidade de Coimbra (Portugal), responsáveis pela palestra que provocou reflexão sobre as particularidades dessa modalidade de cooperação internacional. Além da exposição de um panorama conjuntural e histórico dos processos da institucionalização internacional da cooperação para o desenvolvimento, conceitos de teorias de relações internacionais, contradições da Assistência Oficial ao Desenvolvimento, ponderações sobre a real relevância da cooperação, críticas sobre o papel dos Estados e exemplos da cooperação sul-sul, particularmente da desenvolvida pelo Brasil na África, estiveram entre os temas debatidos.

A atividade marca o início de uma importante parceria entre docentes, alunos de pós-graduação e pesquisadores da UFPB e da UFPE ligados a temas de Relações Internacionais através do GESPE

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A ideia do GESPE é discutir aspectos relativos aos modos predominantes de validar o conhecimento científico, além de debater como ele está sendo pensado e produzido na América Latina, na África e na Ásia. Também pretende-se articular eventos acadêmicos, publicações, intercâmbios e redes, criando, assim, um corpo de trabalho que aborde diversos temas de Política, Economia e Sociologia sobre esses continentes do Eixo Sul.

 

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Eleições 2014 na América Central: o que está em jogo?

*Por Aleksander Aguilar

 

O próximo domingo 2 de fevereiro é uma data de extrema relevância para a América Central. Dois países do pequeno istmo entre o Norte e Sul do continente, situado na periferia do sistema pese estar no centro geográfico e ter uma importância estratégica em política internacional, realizam suas eleições gerais: Costa Rica e El Salvador. Novo período de eleições livres e universais é sem dúvida um momento de celebração das liberdades civis para toda a região, dado o amplo retrospecto de crises e autoritarismo dos países que a compõem, mas também uma ocasião para a reflexão, que deve ser exercido com o voto de cada cidadão, sobre projetos políticos que efetivamente contribuam para fazer avançar Centroamérica em emancipações, autonomias e bem-viver.

De forma geral, veem-se duas grandes linhas na atual conjuntura política centro-americana: o espaço para governos vistos como progressistas e a tendência a polarização partidária.

Estão em jogo nessas eleições concepções diferenciadas sobre relações estatais, mercado e sociedade, em que se confrontam projetos, insistentes e impertinentes, de corte neoliberal, e outro de cunho nacional-popular, mais comprometidos, em tese, com o social.  

Na década de 1990, as forças políticas ligadas à esquerda enfrentaram um panorama desencorajador, com o avanço forte do receituário neoliberal no istmo; uma situação que se via por toda a América Latina, mas particularmente sentidas em Centroamérica em função dos contextos das recém finalizadas revoluções populares que não alteraram a estrutura profunda do status quo do poder.

Essa ordem começou mudar, porém, a partir dos anos 2000 na América do Sul, mas na América Central ainda um pouco mais tarde, com as posições reformistas de Manuel Zelaya em Honduras, com a vitória da esquerda em El Salvador em 2009, com o retorno dos Sandinistas ao governo da Nicarágua. O golpe de Estado em Honduras, em 2009, pode ser visto como um alerta para essa reorganização progressista na região de que as forças da elite dominante não permitiriam medidas muito avançadas no campo social, caso isso mexesse com as arcaicas e excludentes estruturas de poder dos seus países, por parte dos novos governos que conquistaram espaço nas frágeis democracias eleitorais há pouco estabelecidas.

Há agora uma renovação das oportunidades para o progressismo. Em Honduras, nas polêmicas e ainda debatidas eleições do final de 2013, o partido LIBRE, do ex-presidente  Zelaya, rompeu o tradicional e perverso bipartidarismo elitista do país e influiu nos rumos do governo. Na Nicarágua, apesar de posturas impopulares e muitos questionamentos, o atual governo sandinista de Daniel Ortega ainda conta com altos índices de aprovação. Em El Salvador, a disputa se dá entre as duas forças consolidadas depois dos Acordos de Paz de 1992, o do retrógrado conservadorismo e neoliberalismo da Alianza Republicana Nacionalista (ARENA) e aglutinação de esquerda Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional (FMLN), que ainda reúne forças da sociedade civil e de movimentos sociais. E, na Costa Rica, a coalizão progressista do Frente Amplio gera expectativas e esperança de vitória.

O FMLN salvadorenho tem vantagem nas pesquisas eleitorais e disputa a reeleição, pois conseguiu uma vitória histórica nas eleições de 2009 com Mauricio Funes, um jornalista sem militância na antiga organização guerrilheira mas com capacidade gerencial e que reivindicou uma gestão ao estilo do ex-presidente brasileiro Lula, amigo e conselheiro, permitindo uma aproximação inédita também do Brasil no istmo.

Funes foi muito criticado por não ter atendido com intensidade as expectativas de mudança propostas por sua campanha, pese ter feito um governo mais socialmente avançado do que as duas décadas de neoliberalismo arenista que o antecederam.  O atual candidato da FMLN, Salvador Sánchez Cerén, é um líder histórico da Frente, foi um dos comandantes da guerrilha, e trabalha uma proposta de governo em três eixos: aprofundar as mudanças iniciadas por Funes, consolidar a democracia e o Estado constitucional, social, democrático e de direito, e acelerar a integração regional para avançar a união centro-americana.

Na Costa Rica, as forças progressistas também levam vantagem, pequena, nas pesquisas eleitorais. A disputa se dá entre um modelo neoliberal representado pelos partidos de direita, Partido Liberación Nacional e Movimiento Libertario, e uma proposta mais socialmente orientada, preocupada em combater a pobreza e a desigualdade social, representada pelo Frente Amplio e Partido Acción Ciudadana, tendo à frente o jovem candidato José María Villalta.

O clima nos dois países é de incertezas e os cenários estão abertos. Centroamérica necessita justiça social, já que as características mais tristes e evidentes da região, como migrações, pobreza, desigualdades e violência são consequências da injustiça vigente. Muitas instituições dos países do istmo funcionam a serviço de elites e não a serviço de todos e todas, menos ainda preocupados com os mais vulneráveis. O crescimento econômico é importante para se obter recursos para investimentos sociais, mas quando este não vai acompanhado de um desenvolvimento inclusivo, os problemas aprofundam-se. Centroamérica merece um desenvolvimento social equitativo que ofereça possiblidades de cultivar plenamente suas capacidades humanas e políticas.

 

 

*Aleksander Aguilar é jornalista, doutorando em Ciência Política e coordenador do Grupo de Estudos América Central (GEAC), do Núcleo de Pesquisas Desenvolvimento e Região (D&R) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Palestra: Desafios e armadilhas da cooperação sul-sul

A professora Xaman Korai, do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) faz palestra às 10h do dia 30 deste mês no auditório do 14º andar do CFCH, do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política (PPGCP) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com o tema “Desafios e Armadilhas da Cooperação Sul-Sul”.

A atividade é organizada pelo GESPE (Grupo de Estudos Subalternos Periféricos e Emergentes), que funciona junto ao Núcleo de Estudos e Pesquisas Regionais e do Desenvolvimento (D&R) do PPGCP e terá como debatedor o doutorando da Universidade de Coimbra (Portugal) e membro do D&R, Vico Melo.

 

Serviço:

30 de janeiro, às 10h

Auditório do 14° andar do CFCH (UFPE)

Evento sem inscrição prévia e gratuito!